Avaliação do impacto ambiental resultante do cultivo de Rachycentron canadum em tanques-rede instalados no litoral nordeste do Brasil

Autor: Ana Paula Klein  (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Luis Henrique da Silva Poersch
Co-orientador: Dr Miguel Rodilla Alamá

Resumo

O cultivo de organismos marinhos em tanques-rede vem apresentando altas taxas de crescimento, todavia, geram consideráveis aportes de nutrientes e matéria orgânica ao meio circundante. Medidas de monitoramento permitem manter níveis adequados as exigências da espécie cultivada, assim como avaliar os efeitos do cultivo sobre a qualidade da água. Este estudo objetivou avaliar os possíveis impactos ambientais resultantes de um cultivo experimental de Rachycentron canadum na costa do Estado de Pernambuco. Para tal, foram realizadas coletas de água e sedimento a cada dois meses, na região do entorno do cultivo. Foram acompanhados oxigênio dissolvido, temperatura, salinidade, pH e transparência da água (Secchi), além das concentrações de compostos como NH4+, NO2, N(t), P(t) e COT na água e quantidade de carbono no sedimento. A biomassa fitoplanctônica também foi monitorada, através de clorofila a. Temperatura e salinidade variaram de acordo com a sazonalidade e pluviosidade, mas permaneceram dentro das faixas ótimas para a espécie. Os valores de oxigênio dissolvido mantiveram-se sempre acima de 5 mg/L e o pH variou entre 8,5 e 9,5. Os valores de transparência da água variaram de acordo com as concentrações de clorofila a, que variaram de 0 a 1,02 μg/L, com a maior parte das amostras sendo inferiores a 0,45 μg/L, próprias de uma região oligotrófica. Quanto aos nutrientes na água, fósforo não foi detectado, e amônio e nitrito foram muito baixos. Todavia, os valores médios de nitrogênio total (6,66 mg/L) e carbono orgânico total (94,01 mg/L) foram mais elevados, inclusive os pontos controle, o que pode ser explicado pela proximidade do cultivo a desembocadura do rio Capibaribe, bastante rico em matéria orgânica. Os valores de carbono no sedimento variaram entre 8,7% e 10,69%, inclusive no ponto controle, e os valores podem ser explicados pela abundância de organismos bentônicos na região. Aparentemente o cultivo não impactou de maneira negativa a área adjacente. A baixa biomassa de peixes produzida e a grande dinâmica do ambiente, que apresentou altas velocidades de correntes (média de 0,26 m/s), estão relacionadas aos resultados. Acredita-se que o ambiente possua grande capacidade de suporte, entretanto, torna-se necessário o acompanhamento de novos ciclos de cultivo para confirmar os resultados encontrados.

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