Avaliação do antioxidante alfa-ácido lipóico em pampo Trachinotus marginatus (Pisces, Carangidae)

Autor: Mateus Tavares Kutter  (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Marcelo Borges Tesser
Co-orientador: Dr Jose Maria Monserrat

Resumo

O presente trabalho avaliou o efeito anti-oxidante do ácido -lipóico (AL) no peixe Trachinotus marginatus. Foram determinados os efeitos agudo por meio da administração de diferentes concentrações de AL por injeção via intraperitoneal (i.p) (experimento I) e crônico por meio da alimentação (experimento II). Também foi realizado mais um experimento utilizando a dose (via alimentação) que apresentou as melhores respostas fisiológicas, avaliando-se as mudanças na capacidade antioxidante do peixe ao longo do tempo (experimento III). A administração via i.p demonstrou efeitos antagônicos dependendo do órgão estudado. No fígado no cérebro, as doses de 20 mg AL/kg e 40 mg AL/kg, respectivamente, melhoraram a capacidade antioxidante. No entanto, no fígado, as doses mais altas (40 e 60 mg AL/kg) apresentaram um efeito pro-oxidante com aumento da peroxidação lipídica e ferro livre, e redução da capacidade de desintoxicação. No experimento II, os peixes foram alimentados por 42 dias com dieta contendo AL. A administração por meio da alimentação alterou o metabolismo lipídico do organismo. Os peixes alimentados com as maiores doses (890 e 1367 mg AL/kg de ração) apresentaram redução no crescimento, na eficiência proteica e ingestão alimentar. Nestas doses ocorreu uma redução do teor de lipídio na carcaça em comparação aos peixes do grupo controle. A capacidade de desintoxicação foi maior na dose de 890 mg AL/kg de ração no cérebro. No músculo ocorreu redução da peroxidação lipídica em todos os tratamentos com AL, um efeito que pode ser correlacionado com a redução da concentração de lipídios na carcaça. No experimento III, os peixes foram alimentados com uma dieta contendo 524 mg AL/ kg de ração. Foram analisados atividade da glutationa-S-transferase e peroxidação lipídica aos 10, 20 e 30 dias no cérebro, músculo, fígado e brânquia. No músculo a redução da peroxidação lipídica ocorreu aos 30 dias. Considerando os resultados obtidos podemos sugerir que 5 juvenis de T. marginatus sejam tratados com AL com uma dose i.p 20 mg/kg pois em doses maiores ocorreu efeito pró-oxidante do AL no fígado. A inclusão de AL na dieta deve ser fixada entre 316 e 524 mg AL/ kg de ração, pois apresentou os melhores resultados em termos de quimioproteção, crescimento e metabolismo proteico e lipídico. O tratamento com AL na dieta apresentam aumento da capacidade de detoxificação e redução do dano lipídico a partir de 30 dias. Embora o uso de AL em animais aquáticos esteja restrito a estudos experimentais os resultados obtidos demonstram que a utilização deste composto apresenta potencial uso na aquicultura.

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