Efeitos da temperatura sobre o desempenho zootécnico, parâmetros metabólicos, hematológicos e de estresse oxidativo em pacu Piaractus mesopotamicus

Autor: Daniel de Sá Britto Pinto (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Luciano de Oliveira Garcia
Co-orientador: Dr Jose Maria Monserrat

Resumo

O pacu Piaractus mesopotamicus é uma espécie nativa da America do Sul, que apresenta grande potencial para a aquicultura, sendo atualmente a segunda espécie nativa mais cultivada no Brasil. Entretanto, sua criação pode ser limitada pela ampla variação termal da região onde habita: tropical e subtropical. Dessa forma, a presente tese teve como objetivo determinar os efeitos da variação de temperatura a curto e longo prazo, avaliando parâmetros sanguíneos, de estresse oxidativo e de desempenho zootécnico. Foram realizados dois experimentos (E1 e E2), nos quais os peixes foram expostos a quatro variações de temperatura (E1 - de 24 °C para 18, 21, 27 e 30 °C) por um período de 5 dias e a cinco diferentes temperaturas (E2 - 18, 21, 24, 27 e 30 °C) durante 45 dias. No E1, ao final do período experimental, foram coletadas amostras de sangue, fígado e músculo de nove peixes por tratamento. Os níveis de glicose aumentaram e diminuíram quando a temperatura variou de 24 para 30 e 21 °C, respectivamente. Os níveis de lactato foram maiores quando a temperatura variou para 18 °C. O hematócrito aumentou em todas as variações de temperatura e os níveis de hemoglobina diminuíram e aumentaram quando a temperatura variou de 24 para 21 °C e 30 °C. No fígado, a atividade da Glutationa-S-Transferase (GST) foi reduzida nos animais expostos a 18 °C, enquanto a capacidade antioxidante total (ACAP) aumentou quando a temperatura variou para 30 °C. A concentração de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS), no fígado, aumentou quando a temperatura variou de 24 para 18, 21 e 27 °C. A concentração de grupos tióis não proteicos (NP-SH), no fígado, diminuiu quando a temperatura variou de 24 para 18, 27 e 30 °C, enquanto a concentração de grupos tióis proteicos (P-SH) diminuiu e aumentou quando a temperatura variou de 24 para 21; e 27 e 30 °C, respectivamente. No músculo, a ACAP reduziu quando a temperatura variou de 24 para 27 e 30 ° C, e o TBARS aumentou quando a temperatura variou de 24 para 30 °C. A concentração de NP-SH, no músculo, não apresentou variação, enquanto a concentração de tióis proteicos aumentou quando a temperatura variou de 24 para 18 °C. No E2, ao final do período experimental (45 dias), foram realizadas análises biométricas e coletadas amostras de sangue, fígado e músculo de nove peixes por tratamento. Com as análises biométricas foi observado que o crescimento aumentou proporcionalmente com a temperatura. O consumo de alimento e a taxa de conversão alimentar aumentaram, enquanto a taxa de eficiência proteica diminuiu com o aumento da temperatura. Na composição proximal do filé, o extrato etéreo aumentou e a umidade diminuiu com a temperatura. Além disso, o teor de proteína foi menor em 18 e 30°C. O crescimento e o consumo de alimento apresentaram correlação positiva (R2 = 0,95), enquanto o consumo de alimento e a taxa de eficiência proteica apresentaram correlação negativa (R2 = 0,89). A curva de ajuste robusta entre a taxa de eficiência proteica e o teor de proteína no filé foi melhor a 21 °C. Com as análises hematológicas foi observado que os níveis de glicose, o hematócrito e a hemoglobina foram maiores em 27 e 30 °C. Já os níveis de lactato foram maiores nas temperaturas extremas de 18 e 30 °C. Pacus criados a 18, 21 e 27 °C apresentaram menor ACAP no fígado e no músculo. A atividade da GST no fígado foi menor nos peixes criados a 18 °C, enquanto no músculo não houve diferenças. Com base no método de regressão linear, o teor de P-SH e NP-SH no fígado apresentou relação positiva com a temperatura da água: P-SH (R2 = 0.90) e NP-SH (R2 = 0.90). Entretanto, no músculo os grupos tióis apresentaram menor e maior concentração nos peixes criados em 27 e 30 °C e 18 °C (P-SH), e 21 °C (NP-SH), respectivamente. O conteúdo de TBARS, no músculo e fígado, apresentou relação com a temperatura da água. Com base no método de regressão polinomial, a temperatura na qual os níveis de lipoperoxidadção são menores é de 24,09 e 22,16 ° C, para músculo e fígado, respectivamente. Os resultados obtidos na exposição de variação na temperatura da água a curto prazo indicam que variações de temperatura superiores a 3 oC podem induzir maiores alterações nos parâmetros hematológicos e causar danos oxidativos em juvenis de pacu. Quanto à exposição prolongada a diferentes tempertaturas foi observado que, embora as alterações nos parâmetros hematológicos permitam a criação do pacu entre 21 e 27 °C, contudo, a fim de preservar o músculo, órgão de maior importância comercial, a melhor temperatura é de 24,09 °C, onde a peroxidação lipídica é menor. Apesar dos juvenis de pacu apresentarem uma relação de crescimento positiva com a temperatura, a melhor eficiência protéica em relação ao consumo alimentar fica entre 21 e 27 °C, refletindo uma melhor qualidade da carne. Assim, concluímos que variações na temperatura da água acima de 3 °C são prejudiciais para o pacu e a melhor temperatura de criação fica entre 24 e 27 °C.

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