Efeito dos ácidos graxos na sobrevivência, crescimento, morfologia e tolerância ao estresse de pós-larvas de Farfantepenaeus paulensis

Autor: Tatiana Germano Martins Machado (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Ronaldo Cavalli
Co-orientador: Dr Wilson Francisco Britto Wasielesky Junior

Resumo

Alguns estudos sugerem que a suplementação de ácidos graxos altamente poliinsaturados da família n-3 (n-3 AGAI) poderiam aumentar a sobrevivência, o crescimento e a tolerância ao estresse em animais aquáticos. Neste trabalho, avaliamos os efeitos do enriquecimento de Artemia franciscana (GSL, EUA) com emulsões contendo diferentes perfis de ácidos graxos no desempenho da larvicultura, desenvolvimento morfológico e tolerância à salinidade, temperatura e amônia total (N-AT) de pós-larvas do camarão-rosa Farfantepenaeus paulensis (Pérez-Farfante, 1967). Larvas no estádio de misis I foram cultivadas numa densidade inicial de 60 indivíduos/L em tanques de 40L até a idade de pós-larva 10 (PL10). Grupos de camarões foram alimentados exclusivamente com uma das seguintes dietas: (1) náuplios recém-eclodidos de Artemia; (2) náuplios enriquecidos com emulsão a base de ácidos graxos saturados (AGS) (emulsão ICES 0/-/C); e (3) náuplios enriquecidos com emulsão (ICES 50/0,6/C) contendo 50% de ácidos graxos altamente insaturados (n-3 HUFA). Náuplios recém-eclodidos foram enriquecidos por 24hs com duas doses de 0,3 g de emulsão/L adicionada a cada 12hs. A alimentação das larvas foi realizada diariamente às 10:00 e 22:00hs. Ao alcançar a idade de PL10, estimaram-se a sobrevivência, comprimento total (CT; da extremidade do rostro até a extremidade do telson), índice de desenvolvimento e a morfologia das pós-larvas (conformação da posição central do telson, número de cerdas no quinto somito abdominal, número de espinhos dorso-rostrais e número de cerdas do telson). As tolerâncias à salinidade, temperatura e amônia foram avaliadas pela exposição de PL10 à salinidade 10 por 1h, 16-17 °C por 1h e níveis crescentes de amônia total (0, 15, 30, 45, 60 e 90 mg/L de N-AT) por 24hs, respectivamente. As tolerâncias à salinidade e temperatura foram expressas através do índice de estresse acumulado (IEA; somatório das mortalidades acumuladas por 1h), enquanto a tolerância à amônia foi estimada através da concentração média letal para 50% da população (CL50). Todos os resultados foram submetidos a ANOVA e ao teste Tukey’s (α=0,05), com exceção dos valores de CL50, os quais foram comparados graficamente. As taxas de sobrevivência de PL1 e PL10 alimentadas com meta-náuplios de Artemia enriquecidos com HUFA foram significativamente maiores do que nos outros tratamentos. viii O comprimento total das PL1 não foi significativamente diferente, mas as PL10 alimentadas com náuplios recém-eclodidos foram significativamente maiores. Não foram encontradas diferenças significativas em termos de taxa de metamorfose e tolerância à salinidade e temperatura. A conformação da posição central do telson e no número de cerdas no quinto somito abdominal foram significativamente diferentes, o que não ocorreu para o número de espinhos dorso-rostrais e o de cerdas do telson. As PL10 alimentadas com meta-náuplios de Artemia enriquecidos com HUFA apresentaram maior tolerância à amônia. Esses resultados sugerem que alimentação de larvas e pós-larvas de F. paulensis com meta-náuplios de Artemia enriquecidos com HUFA aumenta sua sobrevivência e tolerância à amônia total, o que pode ser vantajoso sob condições adversas de cultivo.

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