Utilização de farinha de peixe análoga na engorda do camarão branco Litopenaeus vannamei em sistema de bioflocos

Autor: Gabriel Barboza dos Santos (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Wilson Francisco Britto Wasielesky Junior
Co-orientador: Dr Geraldo Kipper Fóes

Resumo

A produção de camarões marinhos em cativeiro no Brasil e no mundo depende mais do que nunca do aprimoramento das técnicas de manejo e dos insumos utilizados, a fim de garantir maior produtividade da forma mais sustentável possível. O sistema de bioflocos (Biofloc Technology System – BFT) já é uma alternativa viável ao sistema convencional, uma vez que garante maior produtividade sem aumento de áreas e com consumo significativamente menor de água, além da minimização dos impactos ambientais e maior biossegurança do cultivo. Entretanto ainda existem alguns gargalos para o pleno desenvolvimento sustentável da atividade, dentre eles a utilização de farinha de peixe como principal fonte protéica das rações utilizadas. A estagnação dos estoques pesqueiros causa flutuação da oferta e consequente aumento do preço deste produto. Além disso, a utilização de pescado para fins não humanos e sua baixa eficiência trófica na produção de espécies carnívoras e onívoras é alvo de duras críticas. Assim, muitos esforços têm sido empregados nas ultimas décadas para driblar a dependência deste ingrediente na aquicultura. No presente estudo foi testada a utilização de uma farinha de peixe análoga (FPA), fabricada com diversos ingredientes oriundos de subprodutos da indústria animal terrestre, na produção comercial de Litopenaeus vannamei em sistema BFT. Três tratamentos (0 %, 50 % e 100 % de substituição da farinha de peixe por FPA) com três réplicas cada, foram confrontados em dois 2 experimentos: (1) engorda intensiva em nove viveiros de 600 m , onde os juvenis de L. vannamei foram engordados de 2,0 - 10,0 g durante nove semanas, numa densidade inicial de 120 camarões/m2; e (2) engorda superintensiva em nove raceways cobertos por estufa, onde camarões foram engordados de 9,0 – 18,0 g durante 11 semanas, em 2 uma densidade de estocagem inicial de 220 camarões/m . Em ambos os experimentos não foram observadas diferenças significativas entre os três tratamentos, tanto para os parâmetros de qualidade da água monitorados, quanto para os índices de desempenho zootécnico testados. Assim, no presente estudo foi concluído que a farinha de peixe análoga é um ingrediente viável à produção comercial de Litopenaeus vannamei, e que a mesma pode substituir em até 100 % o uso da farinha de peixe na produção desta espécie sem prejuízos ao produtor.

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