Avaliação do crescimento e qualidade nutricional de progênies selecionadas da halófita Sarcocornia ambigua irrigadas com efluente salino da carcinicultura

Autor: Kennia Brum Doncato (Currículo Lattes)
Orientador: Dr César Serra Bonifácio Costa

Resumo

Sarcocornia ambigua (Michx.) M.A. Alonso & M.B. Crespo, é uma halófita costeira de ampla distribuição na costa atlântica da América do Sul, capaz de ser cultivada com efluente salino da carcinicultura, que possui alta qualidade nutricional para dieta de animais e humana, além de características químicas para a produção de biocombustível. Este estudo visou investigar variações no desenvolvimento e na composição nutricional das progênies f3 e f4 das linhagens BTH1 e BTH2 de S. ambigua irrigadas com efluente salino da carcinicultura. No período verão-outono de 2014, as plantas foram submetidas a um cultivo tardio de 17 semanas e alta frequência de irrigação (4 vezes ao dia). Da primavera 2014 até o outono de 2015, as plantas foram irrigadas com efluentes salinos da carcinicultura cada dois dias (T2) e a cada quatro dias (T4) durante 22 semanas. Parâmetros químicos da água do efluente e do solo dos canteiros foram monitorados, além de características biométricas, floração, biomassa fresca produzida e o conteúdo mineral das plantas foram avaliados nestes cultivos de plantas. A linhagem BTH2 apresentou um maior desenvolvimento em altura, ramificação, comprimento da maior ramificação e taxa de crescimento em altura do que BTH1, em ambos os experimentos. O plantio tardio (Fevereiro 2014) e exposição a um fotoperíodo médio de 10,7 horas de luz resultaram em um período pré-reprodutivo nas progênies até 3 vezes menor do que observado em plantas crescendo nas marismas. Em 2014, o período de floração de BTH1-f3 apresentou metade do comprimento do observado em BTH2, enquanto que, em 2015, BTH1 floresceu mais precocemente que BTH2. Adicionalmente, a redução na frequência de irrigação (T4) aumentou significantemente as médias de altura e do tempo para início da floração de S. ambigua. Caules de BHT1 apresentaram maiores concentrações de N, P, Cu, Zn, Fe e Mn e suas raízes maiores concentrações de N e Mg do que progênies BTH2. A maior calcificação nos caules e raízes de plantas BTH2 do que de BTH1 poderia ser parcialmente responsável pelo hábito ereto de BTH2 em comparação com o hábito prostrado dos caules de BTH1. Altos níveis de elementos metálicos, mas particularmente de Fe e Mn nas raízes foram encontrados ambas linhagens. Todas as progênies apresentaram alta qualidade nutricional, e o consumo diário de 20 g secas de caules de S. ambigua permite suprir aproximadamente 30% do requerimento humano diário dos minerais analisados. O programa de melhoramento com linhagens puras de S. ambigua, permitiu a obtenção de plantas com diferentes características agronômicas em um curto prazo (4 anos) para diferentes finalidades econômicas.

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