Avaliação do potencial de criação de juvenis de tainha Mugil cf. hospes e Mugil liza em sistema de bioflocos

Autor: Andréa Ferretto da Rocha (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Marcelo Borges Tesser
Co-orientador: Dr Wilson Francisco Britto Wasielesky Junior

Resumo

Com o objetivo de avaliar a possibilidade de manutenção de juvenis de tainhas em sistema com bioflocos, três experimentos foram desenvolvidos na Estação Marinha de Aquacultura da Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS, utilizando juvenis de Mugil cf. hospes e Mugil liza. Os experimentos foram realizados em delineamento inteiramente casualizado, com três repetições em cada tratamento e os resultados foram submetidos às análises de variância ANOVA uma-via e Kruskal- Wallis ( =0,05), considerando-se as premissas de normalidade (Kolmogorov-Smirnov) e homocedasticidade (Cochran C) dos dados. Quando detectada diferença significativa entre os tratamentos após ANOVA, o teste de Tukey foi aplicado para comparação das médias. O primeiro estudo foi realizado para verificar a possibilidade de manter bioflocos na criação de juvenis de Mugil cf. hospes (peso médio inicial de 4,55 ± 0,15 g). Foram avaliados três tratamentos: tainhas com inoculo de bioflocos (T), tainhas com bioflocos provenientes da criação de camarões Litopenaeus vannamei (TFC) e sem animais (SEM). Todos os tratamentos receberam ração comercial (44% PB). Após 21 dias a concentração final de sólidos suspensos totais não diferiu (P>0,05) entre os tratamentos TFC (785,33 ± 269,05 mg L-1), T (310,67 ± 126,0 mg L-1) e SEM (298,67 ± 30,28 mg L-1), enquanto que o volume final de bioflocos de TFC (76,66 ± 5,77 mL L-1) foi maior (P<0,05) do que SEM (3,1 ± 2,48 mL L-1) e T (18,66 ± 5,50 mL L-1) foi similar a todos os tratamentos. Estes resultados demonstram que foi possível manter os bioflocos na criação de juvenis de tainhas Mugil cf. hospes, tornando possível sua criação neste tipo de sistema. Com o objetivo de avaliar a importância da alimentação natural no desempenho em crescimento de juvenis de tainhas Mugil liza (peso médio inicial de 0,66 ± 0,21 g), três diferentes sistemas de criação foram utilizados durante 30 dias, sendo um sistema realizado em água clara, um sistema que consistia de água contendo bioflocos e substrato artificial com perifíton, e um terceiro sistema realizado em água clara contendo substrato artificial com perifiton. Todos os tratamentos receberam ração comercial (42% PB), e os tratamentos com água clara tiveram renovações de água diariamente. A sobrevivência final dos juvenis foi superior a 90% em todos os tratamentos, sem diferença entre eles. O tratamento que utilizou perifíton e bioflocos conjuntamente resultou em maior crescimento em peso dos juvenis de tainhas e menor taxa de conversão alimentar aparente, em comparação aos demais tratamentos. Adicionalmente, este tratamento registrou menor concentração média de amônia total na água dos tanques de criação. Um terceiro estudo teve por objetivo avaliar o efeito da adição de diferentes fontes de carbono orgânico sobre a qualidade de água e o desempenho zootécnico de juvenis de tainhas Mugil liza mantidas em sistema BFT. Com duração de 45 dias foram testados quatro tratamentos: dextrose, melaço de cana-de-açúcar líquido, farelo de arroz e um tratamento em água clara foi utilizado como controle (três réplicas cada). 15 juvenis de M. Liza (7,99 ± 2,57g) em cada unidade experimental (160 L, salinidade 14,0 ± 4,2 e temperatura de 27,0 ± 3,3 oC). As tainhas foram alimentadas com ração comercial (55% PB) quatro vezes ao dia. Ao final do experimento os pesos dos juvenis de tainhas, ganho de peso e taxa de crescimento específico não apresentaram diferença significativa (P>0,05) entre os diferentes tratamentos. A sobrevivência foi superior a 90% em todos os tratamentos, sem diferença significativa entre eles. O maior volume médio de bioflocos foi registrado no tratamento farelo de arroz (161,4 ± 66,29 ml L-1), seguido de melaço (96,46 ± 96,24 ml L-1), e o menor volume foi observado no tratamento dextrose (52,54 ± 57,29 ml L-1), todos significativamente diferentes entre si. A concentração média de SST (mg L-1) na água foi maior (P<0,05) nos tratamentos com bioflocos do que em água clara (492,05 ± 456,83 mg L-1), mas não diferiu entre os tratamentos dextrose, melaço e farelo de arroz (926,16 ± 299,03; 932,18 ± 309,72 e 809,31 ± 217,77 mg L-1, respectivamente). O tratamento dextrose apresentou maior (P<0,05) abundância de bactérias totais aderidas do que os tratamentos melaço, farelo de arroz e água clara. A adição de uma fonte suplementar de carbono orgânico, melaço ou farelo de arroz, se mostrou eficiente no desenvolvimento de bioflocos e controle dos níveis de amônia e nitrito da água, em comparação à utilização de dextrose e ao sistema de água clara.

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