Otimização das condições de cultivo e produção por colheitas múltiplas de Salicornia neei, Apium graveolens e Paspalum vaginatum em sistema aquapônico salino

Autor: Kennia Brum Doncato (Currículo Lattes)
Orientador: Dr César Serra Bonifácio Costa

Resumo

O cultivo de plantas vasculares em sistemas aquapônicos integrados a produção de animais marinhos está crescendo no setor de alimentos. Com isto, o estabelecimento de melhores técnicas de propagação, o atendimento as preferências nutricionais e o uso de regime de poda apropriadas para as halófitas Salicornia neei Lag., Apium graveolens L. e Paspalum vaginatum Sw. irá contribuir para o aumento da produção vegetativa destas espécies comercializáveis. Esta tese teve como objetivo otimizar a produção das halófitas brasileiras S. neei, A. graveolens e P. vaginatum em aquaponia salina com água clarificada proveniente da produção de Litopenaeus vannamei B. em sistema de bioflocos (BFT). Para estabelecer um protocolo de germinação para a variedade selvagem de A. graveolens, ensaios com distintas temperaturas, concentrações e tipos de desinfetantes químicos foram testados, resultando na produção de mudas de aipo selvagem (90-100%) pela desinfecção das sementes com hipoclorito de sódio a 5-10% e incubadas sob um termoperíodo de 20/30 ºC (12h: 12h) (Capítulo 1). No Capítulo 2, foi verificado se as três halófitas estudadas podem absorver ambas as formas de nitrogênio fornecidas (amônio ou nitrato), e destacado que o nitrato é a forma preferida de nitrogênio absorvida por S. neei e A. graveolens. Níveis de nitrogênio acima de 10 mg L-1 melhoraram o crescimento e a produção de biomassa, mesmo em combinação de formas mistas de nitrogênio. O alto suprimento de amônio como forma exclusiva de nitrogênio afeta negativamente S. neei e A. graveolens, devido à acidificação da rizosfera, mas este estresse pode ser aliviado pelo aumento do pH da água. Paspalum vaginatum não foi sensível à alta concentração de amônio. O nível de fósforo não foi um problema para todas as espécies, mas pode limitar a produção de S. neei e A. graveolens sob alta concentração de nitrato na água de cultivo, condição de fósforo incomum nos sistemas de aquicultura atuais. Os requerimentos micronutricionais do crescimento e produção de biomassa de S. neei são atendidos pelo uso da água clarificada do sistema BFT de L. vannamei. Entretanto, a suplementação de micronutrientes na água (particularmente ferro, manganês e molibdênio) foi necessária para aumentar o crescimento de P. vaginatum. O fraco desenvolvimento de plantas de A. graveolens nas condições experimentais não permitiu avaliar suas respostas às adições de micronutrientes. A fertilização foliar de micronutrientes não foi eficaz para melhorar o crescimento das halófitas (Capítulo 3). As plantas foram submetidas a cortes consecutivos de suas estruturas aéreas a cada 14 e 28 dias (Capítulo 4), e P. vaginatum e S. neeimostraram capacidade de rebrotaram em todos os tratamentos aplicados. O tratamento de um corte (a cada 28 dias) permitiu estruturas foliares com melhor valor comercializável, devido a prevenir ao acúmulo de matéria morta e ter abundante perfilhamento e folhas de P. vaginatum, assim como produzir S. neei com grande quantidade de ramos com tamanho comercializável e não lignificado. A prática de poda não modificou a capacidade das halófitas de assimilação de nitrogênio em sua biomassa a partir da água do sistema aquapônico. No geral, as halófitas brasileiras estudadas podem ser facilmente produzidas em aquaponia salina com águas do sistema BFT de L. vannamei, com as práticas divulgadas de melhor germinação, uso de necessidades nutricionais mínimas e manejo de poda estabelecido nesta tese.

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