Avaliação da eficácia de novos extratos vegetais anestésicos e da tricaína para juvenis de Tambaqui Colossoma macropomum (Cuvier, 1818): implicações sobre as respostas de estresse

Autor: Luis André Luz Barbas (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Luís André Nassr de Sampaio
Co-orientador: Dr Luciano de Oliveira Garcia

Resumo

Este trabalho teve por objetivo avaliar a eficácia do óleo essencial (OE) de Nectandra grandiflora Nees, do extrato de Spilanthes acmella var oleracea obtido por técnica de extração por fluido supercrítico com uso de CO2 e da tricaína (MS-222) como anestésicos para juvenis de tambaqui Colossoma macropomum (Cuvier, 1818), além de seus efeitos sobre os parâmetros fisiológicos e de estresse oxidativo nos períodos pós-anestesia e pós-transporte sob sedação. Os peixes (3,3 a 65,74 g) foram aclimatados por 15 dias em sistemas de recirculação e os parâmetros de qualidade de água foram mantidos dentro da faixa de conforto para a espécie. Pelo menos cinco concentrações de extrato de S. acmella, OE de N. grandiflora e tricaína foram testados e as faixas-teste de concentrações foram determinadas através de ensaios preliminares. A concentração de 20 mg L-1 de extrato de S. acmella foi necessária para promover anestesia rápida (tempo de indução < 3 min) e profunda de juvenis de tambaqui (46,6 g) que também foram avaliados no período pós-anestesia quanto às respostas secundárias de estresse durante 72h na recuperação. Alterações fisiológicas transitórias ocorreram principalmente entre 2 até 24 h pós-anestesia com extrato de S. acmella, sendo que todas as variáveis de fisiologia retornaram ao normal ao final de 72 h na recuperação, à exceção das concentrações mais baixas de Na+ sanguíneo que persistiram reduzidas em comparação aos valores de referência. A tricaína mostrou-se eficiente para anestesia rápida e profunda com concentrações a partir de 240 mg L-1 e não foram observadas vantagens claras de seu uso no transporte por até 10 h na concentração de sedação de 20 mg L-1 para atenuação de estresse oxidativo. O OE de N. grandiflora necessitou de concentração de 200 µL L-1 para determinar anestesia profunda, entretanto, não determinou anestesia rápida. O extrato de S. acmella na concentração de 10 mg L-1 foi suficiente para promover anestesia rápida e profunda dos juvenis (3,3 g) submetidos aos banhos anestésicos. Após o transporte por 2, 6 e 10 h na presença ou ausência do OE de N. grandiflora e extrato de S. acmella (30 µL L-1 e 1 mg L-1, respectivamente) tecidos dos juvenis (músculo, fígado, cérebro e brânquias) foram avaliados quanto às respostas de estresse oxidativo através dos seguintes indicadores: capacidade antioxidante total (ACAP), atividade de GST e substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS). Essas concentrações de sedação de OE de N. grandiflora e de de extrato de S. acmella foram eficazes para o transporte dessa espécie uma vez que proporcionaram proteção contra dano oxidativo principalmente nos músculos e brânquias. Juvenis transportados por 2, 6 e 10 h na presença de extrato de S. acmella (1 mg L-1) e de tricaína (20 mg L-1) não apresentaram diferenças significativas em relação aos animais transportados sem anestésicos quanto às respostas secundárias de estresse no sangue, ao passo que o OE de N. grandiflora na concentração de 30 mg L-1 atenuou essas respostas principalmente pela diminuição ou manutenção dos níveis glicêmicos e manutenção das concentrações normais de Na+ no sangue. Todos os anestésicos utilizados nesse estudo foram eficazes e seguros para promover anestesia profunda com recuperação plena em juvenis de tambaqui. Os extratos das plantas S. acmella e N. grandiflora são recomendáveis para o transporte desta espécie em sacos plásticos por até 10 h, uma vez que houve relativa melhora das respostas secundárias de estresse e o processo de lipoperoxidação nos tecidos foi reduzido na presença dos extratos.

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