Patologias que afetam o marisco branco Mesodesma mactroides (Bivalvia: Mesodesmatidae)

Autor: Yuri Bovi Morais Carvalho (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Luis Alberto Romano
Co-orientador: Dr Luis Henrique da Silva Poersch

Resumo

O presente trabalho analisou o estado de saúde do molusco de areia Mesodesma mactroides do litoral do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Foram feitas análises histopatológicas de moluscos adultos coletados durante as quatro estações do ano de 2012 na praia do Cassino (Capítulo 1). No Capítulo 2 foram analisados amostras teciduais, com a utilização de microscopia óptica e microscopia eletrônica de transmissão, de juvenis de M. mactroides moribundos durante um evento de mortalidade massiva ocorrido no ano de 2011. No Capítulo 3 foi feito um “screening” de doenças de notificação obrigatória pela Organização Mundial de Sanidade Animal (OIE) (marteiliose, perkinsose, bonamiose, mikrocitose e infecção pelo vírus herpes de ostreídeos - OsHV μ-var) com a utilização de análise molecular utilizando a técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR) em M. mactroides coletados desde Capão da Canoa (litoral norte do Rio Grande do Sul) até o Chuí (fronteira sul do Estado). No Capítulo 4 foi analisado o efeito de baixas salinidades na sobrevivência de juvenis e adultos de M. mactroides e o quadro patológico associado. Por fim, no Capítulo 5, foi realizado um experimento avaliando a capacidade do marisco branco de reagir a presença de um corpo estranho (partículas de carbono) injetado no pé muscular. Os parasitos mais comuns foram os ciliados Trichodina sp. localizados na brânquia e turbelários Paravortex mesodesma na luz do intestino. Apesar de nenhum registro de dano aos hospedeiros, tricodinos quando em elevada densidade podem obstruir as brânquias e os turbelários podem causar a oclusão da luz do tubo intestinal. Parasitos de importância intermediária, como coccídeos semelhantes à Pseudoklossia e gregarinas Nematopsis sp. foram encontrados raramente e em baixa intensidade, causando baixa resposta inflamatória nos hospedeiros. Metacercárias indeterminadas de Digenea localizadas na ponta dos sifões causando a ruptura das fibras musculares e leve infiltração hemocitária foram observados em baixa prevalência e intensidade. Esporocistos indeterminados de Digenea foram registrados raramente entre os túbulos digestivos causando resposta hemocitária severa. Procariontes do gênero Rickettsia foram observados raramente nos mariscos adultos, entretanto estes organismos foram registrados em 100% dos juvenis moribundos, logo sendo associado ao evento de mortalidade. Através das analises de PCR, não foi registrada nenhuma doença de notificação obrigatória pela OIE em M. mactroides. A salinidade média letal para 48h de exposição foi de 6,5 e 5,7 para adultos e juvenis, respectivamente. Já para 96h de exposição, a salinidade média letal foi de 10,5 e 8,8 para adultos e juvenis, respectivamente. Os mariscos expostos a salinidades abaixo de 15 apresentaram edema intracelular e focos necróticos no epitélio dos túbulos digestivos e oclusão da luz dos túbulos digestivos. Através do experimento realizado no Capítulo 5, foi possível demonstrar importantes mudanças morfológicas relacionadas a inflamação e morte celular resultante da injeção de tinta nanquim no marisco branco, que foram eficientes em eliminar o material estranho através de fagocitose pelos hemócitos, diapedese pelo epitélio intestinal e também através das brânquias e rim. Analise de microscopia eletrônica evidenciou apoptose e estresse do retículo endoplasmático em células nas quais se acumularam as partículas de carbono injetadas.

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