Efeitos do ambiente ácido e do nitrato em juvenis do bijupirá Rachycentron canadum

Autor: Ricardo Vieira Rodrigues (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Luís André Nassr de Sampaio
Co-orientador: Dr Luis Alberto Romano

Resumo

O presente estudo avaliou o efeito agudo e crônico do ambiente ácido e do nitrato em juvenis do bijupirá Rachycentron canadum. Foi determinada a concentração letal mediana (CL50-96h) e os efeitos histopatológicos do nitrato em juvenis do bijupirá. A CL50-96 h foi estimada em 1829 mg L-1 NO3−-N. A exposição aguda ao nitrato induziu alterações histopatológicas nas brânquias, esôfago e cérebro do bijupirá. Um segundo estudo foi realizado para avaliar o efeito agudo (24 h) do ambiente ácido (pH = 7,9 (controle), pH 6,5. 6,0 e 5,5) nos parâmetros fisiológicos e histológicos do bijupirá. O ambiente ácido induziu uma acidose sanguínea de acordo com a redução do pH, que culminou com uma redução das concentrações de bicarbonato e saturação do oxigênio no sangue dos peixes. Em resposta foi observado uma elevação do hematócrito e das concentrações de hemoglobina e glicose no sangue dos peixes comparando com o tratamento controle. O ambiente ácido afetou negativamente a histologia das brânquias e da pele, sendo que os dados foram mais severos de acordo com a redução do pH. Hiperplasia com fusão completa das lamelas secundárias foram observados para todos os tratamentos de redução do pH, enquanto telangiectasia e proliferação das células de cloreto foram observadas nos peixes expostos aos pHs 6,0 e 5,5. Na pele foram observados hiperplasia e hipertrofia das células mucosas com presença de necrose focal dessas nos peixes expostos aos pHs 6,0 e 5,5. O terceiro estudo avaliou a possibilidade de reduzir o pH para 6,5, o efeito de elevadas concentrações de nitrato e a interação entre ambos os parâmetros de qualidade de água durante 42 dias na sobrevivência, crescimento, parâmetros fisiológicos e histológicos do bijupirá. Os juvenis de bijupirá foram expostos as concentrações de nitrato de 0, 100 e 200 mg/L NO3--N no pH 6,5 ou 8 e alimentados até a saciedade. Dois outros tratamentos avaliaram a relação do crescimento devido o consumo alimentar dos peixes em baixo pH ou elevado valor de nitrato. Esses dois grupos foram mantidos em pH 8/0 mg/L NO3--N. Um grupo foi alimentado com a mesma quantidade de alimento consumido pelos peixes mantidos com pH 8/ 200 mg/L NO3--N. O outro grupo foi alimentado com a mesma quantidade de alimento consumido pelos peixes expostos ao pH 6,5/0 mg/L NO3--N. A sobrevivência do bijupirá foi reduzida em 10% apenas nos peixes expostos ao pH 6.5/ 200 mg/L NO3--N. O crescimento foi afetado pelo nitrato, mas não pelo pH. A exposição crônica ao nitrato reduziu significativamente o ganho de peso, a taxa de crescimento específico e o fator de condição, assim como elevou a conversão alimentar dos peixes. O consumo de alimento foi geralmente reduzido entre os peixes expostos ao nitrato. Os níveis de glicose plasmática foram reduzidas nos peixes expostos ao nitrato e ao pH 6,5. As concentrações de lactato e lisozima foram reduzidos nos peixes expostos ao nitrato em ambos os níveis de pH. Contudo, não houve influência do pH e do nitrato nas concentrações plasmáticas de cortisol e osmolaridade. Os bijupirás expostos ao nitrato apresentaram hiperplasia e telangiectasia nas lamelas secundárias. Desta forma podemos concluir que o bijupirá podem ser criados em pH 6,5 com reduzidos valores de nitrato. Porém, nesse pH deve-se ter um cuidado especial com elevadas concentrações de nitrato. Além disso, a concentração igual ou superior a 100 mg/L NO3--N prejudicam o crescimento do bijupirá independente dos valores de pH.

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