Programa de Pós-Graduação em Aquicultura (Conceito 6 da CAPES)

O Programa de Pós-Graduação em Aquicultura (PPGAq) está instalado numa região com grandes perspectivas de crescimento da atividade de produção de organismos aquáticos, tanto em águas marinhas e estuarinas quanto em águas interiores. O estado do Rio Grande do Sul tem apresentado taxas de crescimento significativas da produção e do consumo interno de pescado, especialmente na sua região central e no noroeste do estado. 
 
Neste contexto, o PPGAq, em sua área de atuação, tem a responsabilidade de desenvolver tecnologias aplicadas às condições locais, com espécies nativas e exóticas bem adaptadas ao nosso clima e com expressivos potenciais de produção. Os profissionais capacitados no PPGAq têm à sua disposição um mercado de trabalho em crescimento. Com a dedicação do nosso corpo docente e discente, o Programa de Pós-Graduação em Aquicultura obteve o Conceito 6 da CAPES, divulgado na última Avaliação Quadrienal.

Obtenção, avaliação e microencapsulação de hidrolisados protéicos bioativos a partir de subprodutos da carpa comum (Cyprinus carpio)

Autor: Juan Zamora Sillero (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Carlos Prentice Hernández
Co-orientador: Dr Jose Maria Monserrat
Co-orientador: Dr Adem Gharsallaoui (Université Claude Bernard-Lyon 1, França)

Resumo

A inapropriada gestão dos subprodutos da aquicultura e a indústria de pescado pode produzir grande impacto ecológico e afetar significativamente a viabilidade econômica do setor. A hidrólise enzimática é uma técnica eficiente para agregar valor a estes subprodutos produzindo peptídeos com grande quantidade de aminoácidos essenciais e variadas atividades biológicas como antioxidante, anti-hipertensiva, e neuroprotetora entre outras. O objetivo da presente tese foi obter hidrolisados proteicos do subproduto do beneficiamento (cabeça, visceras, carcaça e pele) da carpa comum (Cyprinus carpio), avaliar in vitro e in vivo sua capacidade antioxidante e microencapsular os hidrolisados com atividade antioxidante. No Capítulo I foi realizado um trabalho de revisão sobre diferentes métodos para a produção de hidrolisados de proteínas assim como um exame das pesquisas atuais avaliando as propriedades bioativas dos hidrolisados de subprodutos de pescado. No Capítulo II foi avaliada in vitro a capacidade antioxidante dos hidrolisados protéicos. Para isto, o subproduto da carpa comum foi hidrolisado utilizando as enzimas Alcalase (A) e Protamex (P) para atingir graus de hidrólise (DH) de 10 e 15%. Foi investigada a capacidade antioxidante in vitro contra radicais peroxil e radicais DPPH assim como a atividade antioxidante in vitro em células de hipocampo HT-22. O hidrolisado A15 mostrou a maior atividade antioxidante (p <0.05) contra o radical DPPH. O hidrolisado P15 apresentou a menor atividade contra os radicais peroxil (p <0.05). A dosagem da concentração intracelular de espécies reativas de oxigênio (ROS) do sistema de células HT-22 revelou que P15 (1.25 mg/ml) reduziu a concentração de ROS (p <0.05). No Capitulo III foi avaliada a atividade antioxidante in vivo dos hidrolisados de carpa. Foi realizado um ensaio de alimentação para avaliar o efeito da suplementação dietética do hidrolisado A15 sobre o estado antioxidante do zebrafish (Danio rerio). Os peixes-zebra foram alimentados por 44 dias com quatro dietas diferentes contendo níveis crescentes de hidrolisados (0 g Kg-1; 25 g Kg-1; 50 g Kg-1; 100 g Kg-1) e ao termino do ensaio foram coletadas as brânquias, cérebro e músculos para avaliar a capacidade antioxidante total contra radicais peroxil (ACAP) e peroxidação lipídica (TBARS). No músculo a peroxidação lipídica foi reduzida no músculo dos peixes alimentados com a dieta suplementada com 50 g Kg-1 de hidrolisado (p <0.05). A peroxidação lipídica no cérebro foi reduzida (p <0.05) em todos os grupos quando comparados com o grupo alimentado com a dieta sem hidrolisado. Finalmente, no Capítulo IV desta tese, foi avaliado o efeito da microencapsulação dos hidrolisados por coacervação complexa com pectina e posterior secagem por atomização sobre a atividade antioxidante dos hidrolisados. Para este estudo foram avaliados hidrolisados de músculo e hidrolisados de subprodutos de carpa. Os resultados revelaram que a microencapsulação e secagem por ―spray-drying‖ das suspensões de hidrolisados reduziu a atividade antioxidante (p < 0.05). Pelo contrario, a microencapsulação por coacervação complexa com pectina e posterior secagem por atomização não teve efeito significativo sobre a atividade antioxidante (p >0.05). Compendiando, o presente trabalho de tese demostrou que a hidrólise enzimática dos subprodutos do beneficiamento da carpa comum é uma técnica eficaz que permite a liberação de peptídeos com atividade antioxidante e neuroprotetora com grande potencial no uso na indústria farmacêutica e de alimentos.

TEXTO COMPLETO