Efeitos da densidade de estocagem na produção de ovos, sobrevivência e crescimento do copépode planctônico Acartia tonsa (Dana)

Autor: Tagor Carlos Lehnen
Orientador: Dr José Guilherme Bersano Filho

Resumo

A utilização de copépodes na larvicultura de peixes e crustáceos tem sido apontada como uma solução alternativa ao uso de Artemia, devido principalmente ao seu elevado valor nutricional. No entanto, a inexistência de métodos de cultivo que permitam sua produção em grande escala, ainda limita sua aplicação na aquacultura. Neste estudo, os efeitos da densidade de estocagem na produção de náuplios, sobrevivência e no crescimento do copépode planctônico Acartia tonsa foram avaliados com o objetivo de se otimizar cultivos em grande escala. Para a produção de ovos, foram avaliadas as densidades de 50, 100, 200, 400 e 800 copépodes L-1. Os copépodes foram cultivados em frascos de 250 mL, com S = 33 ups, T = 25 °C, alimentados com Thalassiosira fluviatillis e aclimatados a um fotoperíodo de 12C:12E. Para se testar os possíveis efeitos da estocagem sobre a sobrevivência e crescimento de náuplios e copepodidtos de A. tonsa, foram usadas as densidades de 1.000, 2.500, 5.000, 10.000 e 20.000 copépodes L-1. Durante o experimento os copépodes foram mantidos em frascos de 2,5 L, com S = 34 ups, T = 25 °C, e alimentados em excesso com as microalgas Isochrisis galbana e T. fluviatillis. Com relação à produção de náuplios, pode-se observar que o potencial reprodutivo de A tonsa foi afetado na densidade de 800 copépodes L-1, pois houve uma redução significativa na produção de ovos fêmea-1 dia -1. A sobrevivência entre os diferentes tratamentos, não foi significativamente afetada pela densidade de estocagem, entretanto copépodes cultivados nas densidades de 10.000 e 20.000 copépodes L-1, cresceram menos, ficando constatado um retardo na mudança de fase de náuplio para copepodito. A redução no potencial reprodutivo, crescimento e desenvolvimento dos copépodes cultivados em altas densidades pode estar relacionada a fatores dependentes da densidade de estocagem, como qualidade de água, estresse físico e alimento disponível. Nos sistemas intensivos de cultivo, a densidade de estocagem de 400 copépodes L-1 permitiria a produção de quantidades relativamente elevadas de A. tonsa, sem afetar o potencial reprodutivo dos copépodes. A utilização de uma densidade de estocagem de 5.000 copépodes L-1, nos tanques de crescimento de A. tonsa, permitiria a obtenção de alimento vivo em elevada quantidade e de tamanho adequado para o uso na larvicultura de camarões e peixes marinhos.

 

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