Parasitologia, toxicidade e evermifugação com formol e histopatologia de juvenis da tainha Mugil platanus

Autor: Eduardo Pahor Filho (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Joaber Pereira Junior
Co-orientador: Dr Kleber Campos Miranda-Filho

Resumo

Considerando a importância da tainha Mugil platanus Günther, 1880 como fonte de alimento e alternativa de emprego para comunidades locais, este estudo objetiva estabelecer a fauna parasitária e a forma de utilização de M. platanus pelos parasitos, definir a toxicidade do formol e a concentração eficaz para erradicar ou mesmo minimizar a parasitose e, por último, verificar quais as lesões causadas pelo formol e/ou pelos parasitos em juvenis da tainha M. platanus. Quarenta juvenis de tainha M. platanus com peso 1 ± 0,26g e comprimento 4,1 ± 0,4cm foram coletados em arroio na Praia do Cassino, no município de Rio Grande - RS - Brasil. Os hospedeiros foram necropsiados e os ectoparasitos foram fixados em formol 5 %, corados, clarificados e posteriormente montados em lâminas permanentes com bálsamo do Canadá para identificação. Outros foram montados em meio de Grey-Wess para verificação de estruturas esclerotizadas. Os endoparasitos foram fixados em AFA e corados em carmim de Semichon, clarificados e posteriormente montados em lâminas permanentes com bálsamo do Canadá para identificação. Foram identificados Ligophorus cf. uruguayense (Monogenoidea: Ancyrocephalidae) e Solostamenides cf. platyorchis (Monogenoidea: Microcotylidae) nas brânquias. Foram reportados Digenea e Nematoda nos intestinos. A prevalência (P %) de L. cf. uruguayense foi 100 %, a intensidade de infestação (II) variou entre 2 e 110, a intensidade média de infestação (IMI) foi 23,4 e a abundância média (AX) foi 23,4. A prevalência (P %) de S. cf. platyorchis foi 10 %, a intensidade de infestação (II) variou entre 1 e 3, a intensidade média de infestação (IMI) foi 1,5 e a abundância média (AX) foi 0,15. A prevalência (P %) de Digenea foi 92,5 %, a intensidade de infecção (II) variou entre 1 e 40, a intensidade média de infecção (IMI) foi 2,67 e a abundância média (AX) foi 2,47. A prevalência (P %) de Nematoda foi 6,7 %, a intensidade de infecção (II) foi 1, a intensidade média de infecção (IMI) foi 1 e a abundância média (AX) foi 0,07. Os elevados índices de infestação por Monogenoidea e de infecção por Digenea apontam o potencial dano que estes parasitos podem representar nos cultivos. Para analisar a toxicidade do formol para M. platanus e a eficácia deste quimioterápico no controle de parasitos, foram realizados quatro experimentos. Os juvenis foram mantidos em béqueres de 1 L, densidade 8 peixes/ béquer, temperatura da água 21 °C, fotoperíodo 12 h, salinidade da água 5, aeração suave e constante e mantidos em jejum e em observação para análise da sobrevivência. Para determinar a toxicidade do formol aos juvenis foi realizado um teste de toxicidade aguda 96 h, em que os tratamentos foram um controle (sem adição de formol na água) mais 5 concentrações: T1 (5), T2 (8), T3 (15), T4 (30) e T5 (50) mg/L de formol em triplicata. Para verificar a eficácia no controle parasitário foi administrado um banho profilático de 1 h de formol, em que os tratamentos foram um controle (sem adição de formol na água) mais 5 concentrações: T1 (25), T2 (50), T3 (100), T4 (150) e T5 (200) mg/L de formol na água em triplicata. No teste letal de toxicidade aguda, não houve diferença significativa (P > 0,05) entre as réplicas e a temperatura (°C), salinidade, pH, O2 dissolvido na água (mg/L), amônia total (mg/L) e a concentração letal mediana a 50 % (CL50) em 96 h foi estimada em 20,77 mg/L de formol. No banho profilático com formalina durante 1 h, todos os tratamentos foram eficientes eliminando 100 % dos parasitos, exceto no tratamento com 25 mg/L, em que foram identificados L. cf. uruguayense em 13,33 % dos peixes. Houve 100 % de sobrevivência dos hospedeiros em todos os tratamentos, exceto na concentração 200 mg/L em que a sobrevivência foi 87,5 %. Banhos com 25 mg/L de formol durante 1 h são indicados para o controle de S. cf. platyorchis e 50 mg/L para o controle de L. cf. uruguayense, por possuir menor concentração de formol e alta sobrevivência dos peixes. Porém, nenhuma das concentrações testadas é eficiente no controle de endoparasitos. Por último, para determinar as lesões causadas nas brânquias de formol e/ou pelos Monogenoidea, três peixes de cada tratamento, provindos do banho profilático com formol para o controle de parasitoses foram encaminhados para análise histológica. Foi observado que o aumento da concentração de formol causou lesões mais graves nas brânquias. Foi observada hiperplasia leve nos animais mantidos como controle, desprendimento do epitélio respiratório no T2, hiperplasia moderada no T3, aumento da atividade opercular no T4 e necrose, natação errática e mortalidade no T5. Os resultados histopatológicos deste estudo mostram que banhos de 50 mg/L de formol durante 1 hora podem ser aplicados em juvenis de M. platanus para o controle de Monogenoidea, pois nesta concentração, as lesões histológicas causadas nos hospedeiros são leves e a sobrevivência dos juvenis é alta.

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