Caracterização sazonal da assembleia de parasitos metazoários associados a juvenis de Mugil liza na praia do Cassino (Rio Grande-RS)

Autor: Yorleys Tatiana Diaz Navarro (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Joaber Pereira Junior
Co-orientador: Dr Rogério Tubino Vianna

Resumo

Neste trabalho foi estudado a composição e variação sazonal de metazoários parasitos associados a juvenis de tainha, Mugil liza provenientes de riachos costeiros na Praia do Cassino, no Rio Grande do Sul. Foram feitas coletas mensais (n=40) durante um ano, de janeiro à dezembro de 2012, totalizando 480 peixes. Os hospedeiros foram conduzidos ao laboratório, insensibilizados por concussão cerebral e necropsiados para coleta de endo e ectoparasitos. Os parasitos foram fixados (formalina ou AFA) e mantidos em álcool 70%. Espécimes representativos foram selecionados para montagem de lâminas que permitiram a identificação até o menor nível taxonômico possível. Os resultados estão apresentados em dois capítulos, a saber: 1) Ectoparasitos associados a juvenis de Mugil liza da região de Rio Grande, RS; 2) Endoparasitos associados a juvenis de Mugil liza da região de Rio Grande, RS. Nos dois casos, foram calculados os índices parasitológicos de prevalência (P%), intensidade média de infecção (IMI) e abundância média (AM ) para cada um dos taxa/mês amostrados e, sazonalmente. Os índices parasitológicos foram comparados utilizando o programa “Quantitative Parasitology 3.0” e verificado o efeito do “Crowding” (CRD) para cada uma das espécies. No primeiro capítulo, foram reportadas quatro espécies: a) Gyrodactylus sp. presente em todas as estações do ano e apresentando no outono e inverno, os valores de P% (17,5 e 16,7) e de IMI (4,14 e 1,90) mais elevados, respectivamente; b) Polyclithrum sp. só ocorreu na primavera com P% de 4,2% e IMI de 3,60; c) Ligophurus sp. esteve presente em todas as estações do ano e sua maior P% (59,2) e IMI de 36,70 ocorreram na primavera; d) Solostamenides platyorchis foi ausente no verão e sua maior P% (16.70) e IMI (2,05) ocorreram na primavera. Gyrodactylus sp. e Polyclithrum sp. foram localizados na superfície do corpo (nadadeiras) e apresentaram um padrão de distribuição uniforme ao longo do ano de acordo com o índices parasitológicos. 11 Ligophorus sp. apresentou um padrão de distribuição uniforme para outono e agregada nas outras estações. Solostamenides platyorchis demonstrou um padrão de distribuição uniforme. Estes dois últimos parasitos estiveram localizados nas brânquias, onde também foi possível observar a presença de Gyrodactylus sp. com baixas P%.  II capitulo o fígado e intestino, formam os órgãos onde se observaram presença de parasitos. No fígado, se encontraram metacercárias não identificadas (NI), que permaneceram ausentes na primavera. Nas outras estações, o outono foi onde houve a maior P% (64,2) e IMI (12,34) para NI. NI mostraram uma distribuição uniforme no inverno e no verão e agregada no outono. Cistos de Ascocotyle (Phagicola) longa demonstraram P% muito discretas durante todas as estações e seus maiores indices parasitológicos foram a P% (6,7) para o verão e IMI (8,2) para o outono. Seu padrão de distribuição foi uniforme em todas as estações. No intestino se encontraram 3 espécies: a) Hemiuridae (Gn. Sp.) foi presente na primavera e no verão com valores moderados de P% (8,3) e IMI (1,90); b) Dicrogaster fastigata, em sua forma adulta e metacercaria, estiveram presentes durante todo o ano, sendo sua maiores de P% (84,2 e 70,8) e de IMI (25,93 e 11,09) observados para o inverno e primavera, respectivamente. c) Scolex spleuronectis,  desenvolvimento de muitos organismos incluído os parasitos. Peixes silvestres ou em cativeiro podem ser fortemente infestados/infectados. Variações quantitativas e qualitativas temporais para as parasitoses dependem, por exemplo, da espécie hospedeira, do ciclo de vida dos parasitos e de condições ambientais. Os resultados reportados neste estudo devem ser ampliados, especialmente com séries temporais maiores, mas oferecem informações relevantes com vista ao controle de doenças parasitárias na aquicultura.

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