Eficiência antiparasitária e toxicidade do levamisol em juvenis de Mugil liza Valenciennes, 1836 submetidos a banhos terapêuticos

Autor: Jacqueline Cristina de Oliveira Xavier (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Joaber Pereira Junior
Co-orientador: Dr Rogério Tubina Vianna

Resumo

As tainhas (Mugil spp.) constituem um dos principais grupos de peixes marinhos com potencial de criação para a aquicultura no Brasil. As elevadas densidades a que os peixes são submetidos nas condições de confinamento aumentam as chances da ocorrência de parasitoses, que podem provocar prejuízos nas pisciculturas e/ou causarem zoonoses transmitidas pelo pescado. No Brasil são escassos os estudos relacionados à eficácia de fármacos antiparasitários para peixes e seus efeitos secundários, sendo por isso necessários estudos para avaliar a eficiência e os impactos destes medicamentos antes que eles possam ser usados em larga escala em pisciculturas comerciais. O objetivo deste trabalho foi avaliar a toxicidade aguda e a eficiência antiparasitária sobre ectoparasitos branquiais de diferentes concentrações de levamisol em banhos terapêuticos de 24 horas em juvenis de Mugil liza. Para o desenvolvimento deste estudo foram utilizadas tainhas com comprimento médio de 2,9 cm, coletadas na natureza em arroio que desemboca na Praia do Cassino (31º 11’ 55” S; 52º 11’ 14” O), transportadas para o laboratório e aclimatadas em caixas plásticas de 80 litros com aeração constante. Para determinar o nível de toxicidade do levamisol e as concentrações utilizadas no experimento de eficiência antiparasitária foi feito um teste de CL50-24h. Os tratamentos foram realizados em triplicata conduzidos em delineamento inteiramente casualizado. Para o cálculo das CL50 foi utilizado o software “Trimmed Spearman Karber Method” que determinou como CL50-24h de levamisol para juvenis da tainha M. liza o valor de 61,63 mg/L. Os índices parasitológicos (Prevalência, Intensidade de Infestação e Abundância Média) das tainhas na natureza foram determinados através de um exame parasitológico realizado previamente em uma amostra contendo 30 peixes. Através das análises parasitológicas pôde-se concluir que, em juvenis de M. liza no litoral do Rio Grande do Sul são encontrados Ligophorus cf. uruguayense, Solostamenides sp. e Girodactilus sp. nas brânquias de juvenis de M. liza, que funcionam como sítio da infestação. Com base nos resultados do teste de CL50-24h do levamisol em M. liza, foram escolhidas 3 concentrações (0; 7,5; 15 e 22,5 mg/L) que garantissem que a sobrevivência dos peixes fosse superior à 50% em cada tratamento. Todos os tratamentos foram realizados com três repetições. Nas condições em que o experimento foi realizado, foi possível concluir que 15 mg/L de levamisol é indicado no controle de Gyrodactylus sp. para juvenis de M. liza. Para o controle de Solostamenides sp. não foi possível avaliar a eficácia do levamisol devido a prevalência nula encontrada no grupo controle para este parasito. Considerando a baixa eficiência das concentrações testadas nos banhos profiláticos de 24 horas no controle de L. 12 uruguayense, o uso deste método neste tempo de exposição não é recomendado no tratamento contra este Monogenoidea.

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