Crescimento compensatório e metabolismo energético do tambaqui Colossoma macropomum submetidos a diferentes periodos de restrição alimentar

Autor: Bruna Gomes Alho (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Mario Roberto Chim Figueiredo

Resumo

O presente estudo avaliou os efeitos da restrição alimentar e da realimentação sobre o crescimento e o metabolismo energético de juvenis do tambaqui Colossoma macropomum. O desenho experimental foi composto por 12 tanques com volume útil de 250 L, com 35 juvenis cada (peso médio 65,8±12,76 g e comprimento médio 11,7±1,06 cm). Os peixes foram divididos em quatro tratamentos: Continuamente alimentados (controle), privação alimentar por uma (J1), duas (J2) e três (J3) semanas, seguido de realimentação à saciedade por duas semanas. A taxa de sobrevivência foi de 100% ao final do experimento. Ao final da privação alimentar, o peso corporal dos peixes do J1, J2 e J3 estavam em 77,8%, 70,7% e 48,8% do peso corporal dos peixes controle (133,3 g), respectivamente. Os peixes do tratamento J2 após duas semanas de realimentação ultrapassaram o peso corporal dos peixes controle, e o J1 atingiu o mesmo peso corporal dos continuamente alimentados. Porém, os peixes do J3, em duas semanas de realimentação, continuaram com um peso corporal inferior aos peixes controle (p<0,05). O fator de condição não foi afetado pelos tratamentos ou períodos de coleta (restrição e realimentação), demonstrando que os peixes estavam com mesma condição corporal durante todo o experimento. O índice hepatossomático (IHS) apresentou diferença significativa entre os tratamentos (p<0,05), e nos tempos de amostragem. No período de realimentação ocorreram as maiores médias do IHS comparadas com o período de restrição alimentar. Os níveis de glicose variaram de acordo com o tempo de amostragem e entre os tratamentos (p<0,05), se mantendo baixo no período de restrição, quando comparada com o período de realimentação. No final do período de jejum 7, 14 e 21 dias, conteúdo de glicogênio hepático foi quase esgotado, mas dois dias após a realimentação, o glicogênio hepático foi aumentando com valores semelhantes às concentrações do controle. Por outro lado, o glicogênio muscular se manteve equilibrado em todo o período experimental, exceto nos peixes submetidos a três semanas de privação alimentar (J3), sugerindo o ponto de esgotamento do glicogênio hepático no grupo J3, iniciando a mobilização do glicogênio muscular para suprir os níveis de energia e manter a homeostase do organismo. Em conclusão, os resultados obtidos mostram que o tambaqui é capaz de demonstrar crescimento compensatório, se submetidos à no máximo, duas semanas de jejum, seguidas de duas semanas de realimentação.

TEXTO COMPLETO