Efeito do nitrato sobre os parâmetros hematológicos e de estresse oxidativo de juvenis de tainha (Mugil liza) na água doce

Autor: Liliane Soares Presa (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Luciano de Oliveira Garcia

Resumo

Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos subletais da exposição de juvenis de tainha (Mugil liza) ao nitrato na água doce. Sendo assim, foi realizada a determinação da concentração letal mediana (CL50-96h) ao nitrato (0; 86; 462; 852 e 968 mg N-NO3 L-1), sendo a mesma estimada em 606,07 mg N-NO3 L-1. Após a definição da CL50-96h os peixes (105,2 ± 8,4 g) foram expostos, por 5 dias, a três concentrações subletais de nitrato (8,0 ± 2,0; 34,0 ± 1,0; 52,0 ± 6,0 mg N-NO3 L-1) e um controle (0,05±0,02 mg NNO3 L-1). Neste período foram realizadas coletas de sangue para determinação da glicose, hematócrito, hemoglobina, contagem de eritrócitos, pH sanguíneo e índices hematimétricos (1 e 5 dias) após a exposição dos peixes ao nitrato. Para as análises de estresse oxidativo foram realizadas coletas de brânquias, fígado e músculo (1, 2 e 5 dias), após a exposição às condições experimentais. Foram coletados nove peixes/coleta/tratamento para verificação dos níveis de lipoperoxidação (LPO-TBARS), capacidade antioxidante total contra radicais peroxil (ACAP) e a atividade da glutationa S-transferase (GST). As concentrações de glicose no plasma de M. liza apresentaram inicialmente uma diminuição (1 dia) e um aumento (5 dias) nas maiores concentrações de nitrato (34 e 52 mg N-NO3 L-1) em relação ao controle e 8 mg N-NO3 L-1. Os níveis de eritrócitos diminuíram na maior concentração (52 mg N-NO3 L-1 – 1 dia) quando comparado aos demais tratamentos. A hemoglobina, após 5 dias de exposição ao nitrato aumentou significativamente em todos os tratamentos quando comparado ao dia 1. Os índices hematimétricos (VCM, HCM e CHCM) apresentaram alterações nos diferentes tratamentos ao longo do tempo e entre os tratamentos. A exposição ao nitrato aumentou a LPO (1 dia) nas brânquias dos animais expostos a 34 mg NO3-N L-1 em relação ao controle. A ACAP nas brânquias e fígado dos juvenis de tainha foram maiores nos animais expostos as maiores concentrações de nitrato (34 e 52 mg N-NO3 L-1), em contraste o músculo apresentou uma menor capacidade antioxidante. A atividade da GST nas brânquias, fígado e músculo de M. liza, no nosso estudo, apresentaram uma redução durante o período experimental (5 dias). Desta forma, concluímos que a exposição ao nitrato altera os parâmetros bioquímicos de juvenis de tainha (Mugil liza) em água doce, ocasionando alterações na lipoperoxidação, capacidade antioxidante e na atividade da GST nos peixes.

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