Flocos microbianos: aspectos zootécnicos do cultivo do camarão-rosa Farfantepenaeus paulensis e Farfantepenaeus brasiliensis

Autor: Maurício Gustavo Coelho Emerenciano  (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Wilson Francisco Britto Wasielesky Junior
Co-orientador: Dra Roberta Soares

Resumo

A relevância deste estudo consistiu em avaliar o potencial dos flocos microbianos em comparação aos cultivos convencionais em “águas-claras” no crescimento e sobrevivência de pós-larvas de Farfantepenaeus paulensis e Farfantepenaeus brasiliensis. As pós-larvas de F. paulensis (experimento 1) foram cultivadas na fase de pré-berçário durante 15 dias na densidade de 10PL/L. Já no experimento 2 e 3, durante 30 dias foram cultivadas pós-larvas (PL25) de F. paulensis e de F. brasiliensis na densidade de 500PL/m2, nos seguintes tratamentos: cultivo na presença do floco microbiano com fornecimento de ração: (FLOC + R); cultivo na presença do floco sem fornecimento de ração: (FLOC); cultivo em água clara com o fornecimento de ração: (AC + R) e cultivo em água clara sem o fornecimento de ração: (AC) (este último somente no trabalho realizado com F. brasiliensis), sendo cada unidade experimental constituída por uma caixa plástica retangular com volume unitário útil de 40 litros (experimento 1 e 2) e tanques-rede (experimento 2) – ambos denominados microcosmos, onde as caixas eram providas de aeração através de pedras porosas e taxa de recirculação total diária de aproximadamente 150%/dia. Para tal recirculação, a água foi bombeada de um tanque matriz de 7000 L onde ocorreu cultivo intensivo de camarões em meio heterotrófico e troca zero por meio de bomba submersa e retornou por gravidade. No estudo com F. brasiliensis, os tanques-rede foram alocados diretamente dentro do tanque matriz para os tratamentos em meio aos flocos microbianos. No cultivo em “água clara” foi utilizado um reservatório de fibrocimento com volume útil de 800 litros (renovada 100% diariamente), seguindo o mesmo esquema de recirculação e bombeamento acima descrito ou alocados diretamente no mesmo (experimento 3). A formação dos agregados microbianos respeitou as seguintes etapas: povoamento do “tanque-matriz” com camarões juvenis ( 5g), inoculação da diatomácea Thalassiosira weissflogii e fertilização orgânica respeitando a relação C/N nominal (em peso) de 30:1, balanceada de acordo com a composição bromatológica de cada ingrediente (farelo de trigo, melaço de cana de açúcar e a própria ração fornecida aos animais). Os resultados demonstraram que no experimento 1 o tratamento em meio aos flocos microbianos com fornecimento de ração, as pós-larvas obtiveram ao final do experimento maior peso final, ganho de peso (15 dias) e comprimento final, comparados 9 aos demais tratamentos (P<0,05). Em relação à sobrevivência, o tratamento com e sem fornecimento de ração em meio aos flocos não diferiram entre si (P>0,05), mas foram superiores ao tratamento em água clara com fornecimento de ração (P<0,05). No experimento 2, os tratamentos na presença dos flocos microbianos com fornecimento de ração e em água clara com o fornecimento de ração não diferiram entre si (P>0,05), em relação ao peso final, ganho de peso (30 dias), comprimento final e sobrevivência. No entanto, ambos demonstraram resultados superiores (P<0,05) quando comparados ao tratamento onde os animais foram cultivados em meio heterotrófico sem o fornecimento de ração. Já no experimento 3, em relação ao peso final, os animais cultivados em meio aos flocos com e sem fornecimento de ração não diferiram entre si (P>0,05), entretanto apresentando peso final e ganho de peso (30 dias) superior (P<0,05) aos animais cultivados sem a presença do agregado. Contudo, não foram observados efeitos dos tratamentos sobre a sobrevivência e comprimento total final, exceto no tratamento AC onde os animais apresentaram tamanho menor (P<0,05). Assim, de uma maneira geral, a presença dos flocos microbianos contribuiu para um melhor crescimento e sobrevivência dos camarões. Este fato pode ser atribuído a uma enorme gama de microrganismos presente no meio, sendo esta rica fonte de aminoácidos essenciais, vitaminas, habilidade animal em capturar o material, entre outros, além de anular a emissão de efluentes em ambientes adjacentes, contribuindo para um cultivo mais racional.

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