Influência das baixas salinidades na composição microbiana e no desempenho de juvenis de Litopenaeus vannamei cultivados em sistema super-intensivo sem renovação de água

Autor: Paula Fraga Maica (Currículo Lattes)
Orientador: Dra Maude Borba
Co-orientador: Dr Wilson Francisco Britto Wasielesky Junior

Resumo

Considerados ambientalmente amigáveis, devido ao mínimo uso de água e emissão de efluentes, os sistemas de produção realizados sem renovação de água apresentam as vantagens adicionais da possibilidade do cultivo de camarões marinhos distante da valorizada região costeira e próximo aos centros de consumo, bem como de complementação da dieta dos animais por meio de sua característica comunidade microbiana. O camarão Litopenaeus vannamei, devido ao crescimento acelerado e tolerância a grande amplitude de salinidades, representa uma espécie de interesse para cultivo em tais sistemas de produção. Neste contexto, o objetivo do presente estudo foi avaliar a influência da salinidade na qualidade da água, na composição microbiana e no desempenho de juvenis de L. vannamei cultivados em sistema sem renovação de água. O sistema experimental foi montado no interior de uma estufa, sendo constituído por 16 tanques circulares (0,36m2 de área de fundo) com volume útil de 163L. Grupos de 110 camarões, com peso médio inicial de 0,24 ± 0,08g, foram aleatoriamente distribuídos nas unidades experimentais (300 camarões/m2) e cultivados durante 40 dias em diferentes salinidades (0, 2, 4 e 25‰) com quatro repetições por tratamento. Anteriormente a estocagem, ao longo de 10 dias os camarões foram devidamente aclimatados às diferentes salinidades. A alimentação (dieta comercial - 42,5% PB) foi realizada com auxílio de bandejas, duas vezes ao dia, em uma taxa inicial de 8% da biomassa em cada tanque e, posteriormente, ajustada conforme o consumo observado. Os parâmetros físicos, químicos e biológicos da água (temperatura, oxigênio dissolvido, salinidade, pH, alcalinidade, amônia, nitrito, nitrato, fosfato, sólidos suspensos totais e clorofila a) foram monitorados periodicamente. A comunidade microbiana presente nas diferentes salinidades foi caracterizada e analisada quanto a sua composição centesimal. O desempenho dos animais (peso final, ganho em peso, taxa de crescimento específico, biomassa final, consumo alimentar total individual, conversão alimentar e sobrevivência) foi avaliado. A maioria dos parâmetros de qualidade de água não foi significativamente influenciada pela salinidade, exceto a concentração de sólidos suspensos totais e o pH. Apesar das diferenças não significativas (P>0,05), foi observada tendência de intensificação do processo de nitrificação com a elevação da salinidade, sendo obtidos valores mais baixos de amônia e mais altos de nitrito e nitrato na salinidade mais elevada (25‰). Foi verificada tendência de redução na concentração de ciliados e elevação na concentração de flagelados com o aumento da salinidade. As microalgas foram predominantemente representadas pelas diatomáceas na salinidade mais elevada e pelas clorofíceas nas salinidades reduzidas. O percentual de proteína bruta nos flocos microbianos diminuiu conforme a elevação da salinidade, enquanto que o teor de cinzas apresentou comportamento inverso. A sobrevivência, o peso final, a biomassa final e o consumo alimentar total individual foram positivamente influenciados pelo aumento da salinidade (P<0,05). Os demais parâmetros de desempenho, apesar de também apresentarem tendência de melhora com o aumento da salinidade, não diferiram entre os tratamentos (P>0,05). No presente estudo, os melhores resultados foram obtidos com juvenis de L. vannamei cultivados em sistema sem renovação de água na salinidade 25‰, contudo, índices satisfatórios de produtividade também foram verificados na salinidade 4‰, sugerindo a viabilidade de realização do cultivo em baixa salinidade.

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