Condicionamento reprodutivo do matrinxã Brycon amazonicus (Spix & Agassiz, 1829) submetido a jejum prolongado

Autor: Vivianne da Silva Fonseca (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Ricardo Berteaux Robaldo
Co-orientador: Dra Marle Angélica Villacorte Correa

Resumo

O matrinxã Brycon amazonicus é bastante apreciado pela qualidade de sua carne e é a segunda espécie mais produzida por piscicultura da Região Norte do Brasil. É uma espécie reofilica, e em sua migração reprodutiva experimenta redução da ingesta por três meses contínuos. Trabalhos realizados com a espécie em estudo indicaram que a restrição alimentar pré-reprodutiva melhora a resposta dos reprodutores em cativeiro, como um aumentou dos óvulos de fêmeas restritas. O objetivo desse trabalho foi avaliar o desempenho reprodutivo do matrinxã quando exposto a jejum prolongado, semelhante ao sofrido pela espécie no ambiente natural. Para isso, foi realizado experimento de out/2010 a jan/2011 na Estação de Aquicultura da UFAM-AM (2°39’39.27”S 60°03’04.07”W), quando 100 reprodutores foram estocados em 4 viveiros de 600m2 (n=25/viveiro), distribuídas em 2 grupos controle alimentados diariamente e dois grupos em jejum por 3 meses no período anterior a desova Ao término do período experimental, coincidente com o período de desova da espécie, foram efetuados ensaios de indução hormonal com extrato hipofisário de carpa e coleta de tecidos para análises bioquímicas (sangue, fígado e músculo) e cálculo dos índices biométricos: índice hepatosomático, gonadosomático, de gordura cavitária e fator de condição . Nas induções, o jejum promoveu melhora do desempenho reprodutivo com valores superiores nas taxas de sucesso na indução, fertilidade, fertilização e eclosão, comprovando a hipótese testada. Nas fêmeas, o jejum também promoveu diminuição nos níveis plasmáticos de glicose, fração das lipoproteínas de muito baixa densidade e nos triglicérides, indicando uma maior mobilização dos 11 nutrientes para o desenvolvimento ovariano. Nos machos apenas os níveis de colesterol plasmáticos foram elevados. Os parâmetros bioquímicos hepáticos e musculares demonstraram discreto efeito do jejum, com níveis de triglicérides no fígado reduzidos e de glicogênio muscular aumentado nos machos. Os índices IGS, IHS e IGC não apresentaram diferença para as fêmeas, e apenas o K foi reduzido no jejum. Nos machos o IGS e IGC foram elevados e o K reduzido na mesma condição. Foi constatada uma maior mobilização de energia para o período reprodutivo nos machos. A principal fonte de energia utilizada parece ter sido os lipídios e as proteínas. Diante dos resultados obtidos neste estudo e em consonância com aqueles realizados anteriormente, foi possível concluir que a manutenção dos reprodutores de matrinxã em jejum prolongado durante os três meses que antecedem o período natural de desova da espécie, promove a otimização da resposta reprodutiva.

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