Viabilidade do controle biológico do caramujo Pomacea canaliculata (Lamarck 1822), pelo Cará Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard 1824) sob influência da temperatura

Autor: Ariany Rabello da Silva (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Mario Roberto Chim Figueiredo 

Resumo

No extremo sul do Brasil o cultivo do arroz é realizado mediante a inundação da lavoura. A tecnologia do plantio de arroz pré-germinado propiciou aumento da ocorrência de pragas como caramujos Pomacea canaliculata, e seu principal predador natural, o gavião-caramujeiro Rosthramus sociabilis, tem sido insuficiente para o controle. Uma alternativa seria o consórcio entre o arroz e o peixe, utilizando o Cará Geophagus brasiliensis para o controle biológico da praga. Na etapa I do experimento o objetivo foi avaliar a predação de P. canaliculata pelo G. brasiliensis em diferentes temperaturas da água (18, 22, 26, 30 e 34ºC), e na etapa II, avaliar a predação em diferentes classes de tamanho do caramujo (conchas com até 3 mm; 3 - 5 mm; 6 - 8 mm; 9 - 11 mm e 12 - 14 mm), com água na temperatura de 26 °C. Foram utilizados 15 tanques de fibrocimento (45 L), em delineamento inteiramente casualizado, com três repetições. Os caramujos (n = 32 por tanque) foram ofertados a Carás juvenis (n = 4 por tanque), por 18 h, contando-se os caramujos restantes. O índice de predação (IP) foi calculado pela relação entre indivíduos predados e indivíduos oferecidos aos peixes. Na etapa I os caramujos (até 3 mm) foram distribuídos aos Carás nos tanques com água nas temperaturas referidas. Entre as temperaturas de 18 e 22ºC houve diferença significativa no índice de predação (IP), o mesmo se verificando entre 22 e 26°C. Contudo, o IP não variou significativamente entre as temperaturas 26, 30 e 34ºC. Foi analisada a composição proximal dos caramujos na forma como se encontravam na água de cultivo (SL) e previamente lavados (CL), constatando-se que são ricos em cinzas (aprox. 70%), possuem baixo teor de gordura (o material aderido à concha mais gordura do que o caramujo: SL = 3,17 contra CL = 0,97%). Na etapa II foi medido o diâmetro bucal dos Carás (n= 23) e calculadas as correlações entre este valor (média 10.36 ± 1.33 mm), os dados biométricos dos peixes (peso vivo, comprimento total) e o IP, constatando-se que o diâmetro bucal aumenta com o crescimento do peixe e que este fator limita o tamanho dos caramujos predados (conchas <10 mm neste experimento). Conclui-se que os Carás predam eficientemente os caramujos em temperatura a partir de 26°C, muito próxima da temperatura da água na lavoura do arroz na época do plantio, e que esses peixes são predadores eficientes desse gastrópode nas classes iniciais de tamanho.

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