Efeitos da restrição alimentar em juvenis do linguado Paralichthys orbignyanus

Autor: Florencia Gabriela Fóela Farías
Orientador: Dr Luís André Nassr de Sampaio
Co-orientador: Dr Ricardo Vieira Rodrigues

Resumo

O objetivo do presente estudo foi determinar os efeitos da restrição alimentar em juvenis do linguado Paralichthys orbignyanus. Para isso foram comparados peixes Alimentados (A) e peixes mantidos em Jejum (J) durante 8 semanas. Foram realizadas amostragens de seis peixes por tratamento nas semanas 0, 1, 2, 4 e 8 para comparação da utilização das reservas energéticas no fígado, plasma e músculo e o efeito da restrição alimentar na morfologia do rim e intestino. Os resultados mostraram que o jejum produziu variações nos índices biométricos e nas reservas energéticas (principalmente hepáticas) ao longo do tempo. O fator de condição diminuiu na 8 semana, enquanto o índice hepatossomático e o viscerossomático diminuíram a partir de 2 semanas. O colesterol plasmático aumentou enquanto o hepático diminuiu, indicando um possível transporte para a síntese de cortisol como resposta ao estresse. Níveis de glicose, proteínas e triglicerídeos plasmáticos foram mantidos ao longo do tempo, o mesmo foi observado para osmolalidade. O glicogênio plasmático apresentou aumento na semana 8, indicando possivelmente um acúmulo de glicose na forma de glicogênio. Já no músculo houve pico dos valores de glicose na semana 4 e aumento na quantidade de proteínas na semana 8. Os lipídeos musculares apresentaram variações ao longo do tempo similares em ambos os tratamentos, aumentando na semana 2 no tratamento A e na 4 no J; de forma antagônica a umidade diminuiu em ambos os tratamentos. No fígado ocorreu diminuição significativa no glicogênio e nos triglicerídeos na semana 2, e na glicose e nas proteínas na semana 4. Os triglicerídeos aumentaram nas semanas 4 e 8, possivelmente devido ao processo de re-esterificação dos ácidos graxos, formando lipoproteínas. Quanto aos parâmetros histológicos, não foram observadas diferenças no grau de deposição e tamanho dos melano-macrófagos no rim, nem nos parâmetros morfológicos intestinais. Os juvenis de iii linguado sobrevivem durante oito semanas em jejum utilizando reservas energéticas hepáticas e sem sofrer modificações estruturais no rim e intestino.

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