Produtividade primária do biofilme em cultivos dos camarões marinhos Farfantepenaeus paulensis e Litopenaeus vannamei

Autor: Arnaldo D'Amaral Pereira Granja Russo (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Paulo Cesar Oliveira Vergne de Abreu
Co-orientador: Dr Wilson Francisco Britto Wasielesky Junior

Resumo

Cultivos de animais em meio aquático vêm utilizando há bastante tempo a produção primária do biofilme, ou perifíton (comunidade de microrganismos aderidos a substratos naturais ou artificiais submersos), como estratégias para a melhoria da qualidade da água, ou como fonte alimentar complementar para os organismos cultivados. Apesar da importância da produtividade natural para sistemas de cultivo, pouco se conhece a respeito da produtividade primária do perifíton, especificamente em cultivos de camarões. Dessa forma, esse trabalho procurou avaliar os níveis de produção primária do perifíton em sistemas de cultivo com camarões Litopenaeus vannamei e Farfantepenaeus paulensis e determinar os efeitos de fatores abióticos e da predação dos camarões sobre a as microalgas do perifíton. Dois experimentos foram desenvolvidos durante 38 dias com cada espécie de camarão, em Novembro de 2006 e Abril de 2007 na Estação Marinha de Aqüicultura - FURG. Em cada experimento, três tratamentos contendo adição de substratos artificiais (telas de nylon com 1 mm de malha) foram dispostos em tanques de plástico de 150 L da seguinte forma: 1) Tratamento CR, camarão mais adição de ração; 2) Tratamento R, apenas adição de ração e 3) Tratamento Controle, contendo somente as telas. Durante este período foram coletadas amostras para incubações de produção primária, análises de clorofila a, peso seco e abundância de microrganismos. O experimento com L. vannamei foi caracterizado por apresentar altas temperaturas e salinidades, que se correlacionaram positivamente com os níveis de produção primária. Esses camarões predaram efetivamente sobre nematódeos e diatomáceas pequenas (Cymbella menores que 20 μm), causando uma substituição das diatomáceas dominantes por espécies r-estrategistas. Tal sucessão provavelmente promoveu os maiores níveis de produção primária no tratamento CR (0,0022 a 0,117 mgO2 cm−2.h−1), em comparação com os outros tratamentos. A clorofila a variou entre (0,52 e 1,8 μg cm−2). O experimento com F.paulensis apresentou no tratamento 8 CR máximas biomassas em clorofila a (0,19 a 8,25 μg cm−2) e valores de produção primária iguais a (0,0015 a 0,050 mgO2cm−2.h−1), sendo que esses baixos valores podem ter sido resultado de sombreamentos devido a sobreposição de microalgas. Esses camarões consumiram principalmente diatomáceas maiores e nematódeos. Conhecendo a produção líquida dos sistemas e as taxas metabólicas (respiração) de L. vannamei e F. paulensis foi possível estimar o quanto a produção primária do perifíton nos sistemas de cultivo poderia atender à demanda metabólica destes camarões. No caso de L. vannamei, a produção líquida de todo o sistema poderia atender de 8 a 150% das exigências deste camarão, enquanto que para F. paulensis, que tem uma atividade metabólica menor, a produção primária do perifíton nos tanques poderia suprir 137 a 287% das necessidade metabólicas deste camarão. Os resultados deste trabalho demonstram que a produtividade primária do biofilme pode suprir grande parte da demanda nutricional dos camarões. O incremento de superfície submersa em sistemas de cultivo pode representar um aumento na disponibilidade de alimentos para os camarões cultivados, o que poderia resultar numa importante redução dos custos, uma vez que a compra de rações representa mais de 50% do custo total de produção.

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