Toxicidade e eficácia antiparasitária do Mebendazol em juvenis de tainha Mugil liza

Autor: Fabiane Führ (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Joaber Pereira Júnior
Co-orientador: Dr Luis Alberto Romano

Resumo

Mugilidae têm ampla distribuição pelo mundo e apresentam importância na pesca artesanal e em projetos de piscicultura, devido entre outros a sua alta adaptabilidade às condições de cultivo. A aquicultura é uma economia em expansão e seu sucesso está apoiado em vários fatores, dentre eles a condição sanitária de peixes e ambiente de cultivo. A intensificação dos cultivos somada às demais situações de estresse, acarretam em imunossupressão dos peixes, aumentando a vulnerabilidade à patologias. Nesse cenário, cresce cada vez mais o interesse no uso de quimioterápicos para minimizar as perdas causadas por parasitoses e demais patologias. O mebendazol (MBZ) é um antihelmíntico comumente utilizado na medicina humana e veterinária e tem sido usado com sucesso em peixes. Este trabalho procurou estabelecer doses seguras, descrever os danos histológicos após banhos terapêuticos e administração oral com MBZ, determinar a eficácia antiparasitária do MBZ usado na forma de banhos e administração oral para tainhas, Mugil liza. Para testar as doses seguras de MBZ, usado em banhos terapêuticos de 24hs, foram testadas as concentrações zero, 1, 10, 100, 200mg/L e 1 e 5g/L. Peixes tratados com 10mg/L ou mais mostraram algum dano na estrutura branquial, como hiperplasia, necrose focal, telangiectasia, metaplasia escamosa e aumento da atividade mitótica. MBZ já foi identificado como causador de estresse oxidativo, isto sugere que a necrose tenha sido causada por dano oxidativo ou mesmo pela ação direta do MBZ. A hiperplasia foi provavelmente causada por resposta imune e telangiectasia está relacionada com danos físicos ou químicos. Observou-se que banhos, cujas concentrações de MBZ eram iguais ou maiores de 10mg/L, causavam danos branquiais que comprometem funções vitais dos peixes. Testou-se então a eficácia de banhos terapêuticos com concentrações menores: 1, 2, 3 e 5mg/L, também com 24hs. Necropsias foram realizadas antes e depois de todos os experimentos e foram encontrados três grupos de parasitos: Ligophorus sp. (Ancyrocephalidae), Solostamenides sp. (Microcotylidae), ambos Monogenoidea e um Digenea. As concentrações 3 e 5mg/L mostraram eficácia de 56,9 e 65,8%, respectivamente, contra Ligophorus sp. (p<0,05). As outras concentrações não foram significativamente eficazes para os demais grupos de parasitos. Um terceiro experimento foi realizado para testar a eficácia de MBZ incluído na dieta basal de M. liza. As concentrações testadas foram: 0, 0,125, 0,25, 0,5 e 1g MBZ/200g ração. Não houve diferença significativa dos 9 tratamentos em relação ao controle, nem entre os tratamentos (p<0,05). O tratamento T5 (1g MBZ/ 200g) apresentou o percentual mais alto (97,9%) de eficácia contra Ligophorus sp., mas esta concentração não foi eficaz no tratamento de Solostamenides sp. e Digenea. Os percentuais de eficácia mais altos para Solostamenides sp. e Digenea foram observados no T4 (0,5g MBZ/ 200g) sendo eles 100 e 53,3%, respectivamente. Não foram registradas alterações histológicas nos peixes relacionadas ao uso do MBZ na dieta. Ao que parece a eficácia do MBZ varia, entre outros fatores, entre as espécies parasitas, da concentração administrada e do tempo de exposição. Novos estudos verificando a análise de palatabilidade e exposição das mesmas concentrações por um período maior devem confirmar se há ou não a melhora da eficácia de MBZ para Mugil liza.

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