Contribuição dos bioflocos na alimentação do camarão Litopenaeus vannamei durante as fases de berçário e engorda através da técnica de isótopos estáveis

Autor: Paula Alice Cruz Paiva Reis (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Luis Henrique da Silva Poersch
Co-orientador: Dr Dariano Krummenauer

Resumo

A tecnologia de produção de camarões em meio aos bioflocos (BFT) é considerada uma das mais adequadas e promissoras para o desenvolvimento sustentável da carcinocultura, permitindo altas densidades de estocagem de Litopenaeus vannamei, e o uso de menores áreas e maior produtividade quando comparada aos sistemas tradicionais. No intuito de determinar a importância dos bioflocos, nos últimos anos vem sendo aplicada a técnica de isótopos estáveis em pesquisas na produção aquícola, e assim esta ferramenta tem auxiliado no entendimento de qual fonte alimentar se sobrepõe em importância para a espécie cultivada. A partir disso, este trabalho teve o objetivo de avaliar qual a contribuição nutricional de cada alimento presente no sistema, por meio da técnica de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio para determinar a influência dos bioflocos em pós-larvas e juvenis de L. vannamei durante as fases de berçário e engorda. Para isso, foram delineados dois experimentos com três tratamentos e quatro repetições, distribuídos em tratamento 1: onde os camarões foram alimentados só com ração, tratamento 2: somente bioflocos como fonte alimentar e o tratamento 3: com alimentação baseada em bioflocos + ração. Foram monitorados diariamente os parâmetros de qualidade da água e o desempenho zootécnico dos camarões foi acompanhado por meio de biometrias semanais, e a cada 15 dias foram coletada amostras de ração, bioflocos e camarão para análise de isótopos estáveis. Além disso, foi analisada a comunidade microbiana e os níveis de clorofila durante o experimento. Oxigênio dissolvido, temperatura e salinidade não apresentaram diferenças significativas entre os tratamentos, enquanto que os compostos nitrogenados apresentaram diferenças significativas entre si, e sólidos suspensos e turbidez foram maiores nos tratamentos com bioflocos. No experimento de berçário o crescimento no tratamento de Bioflocos com ração foi menor, quando comparado ao tratamento controle, devido à presença de cianobactérias da família Pseudoanabaenacea, porém a sobrevivência foi estatisticamente igual nesses tratamentos. Já no experimento de engorda, o crescimento e a sobrevivência não diferiram estatisticamente entre o Controle e o tratamento de Biofloco com ração, com um peso final de 7,97±2,03 g e 7,69±2,27 g, respectivamente. Para avaliar a contribuição dos bioflocos e da ração foi usado um modelo de misturas isotópicas para mensurar os níveis dos isótopos de Carbono e Nitrogênio nos tecidos dos camarões. Portanto, foi observado que os bioflocos podem contribuir de 22 a 43% no crescimento dos camarões 240 durante a fase de berçário e de 63 a 86% durante a fase de engorda.

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