Efeitos da densidade de estocagem e do substrato artificial no cultivo do camarão-rosa Farfantepenaeus paulensis em cercados

Autor: Tito Luis Pissetti (Currículo Lattes)
Orientador: Dr Ronaldo Cavalli
Co-orientador: Dr Wilson Francisco Britto Wasielesky Junior

Resumo

Com o objetivo de avaliar os efeitos da densidade de estocagem e da utilização de substratos artificiais sobre a produção do camarão-rosa Farfantepenaeus paulensis cultivado em cercados, dois experimentos foram realizados simultaneamente no estuário da Lagoa dos Patos, RS, entre os meses de janeiro e abril de 2004, totalizando 86 dias de cultivo. No experimento 1 foram utilizados 12 cercados com 50 m2 de área de fundo. Os cercados, feitos com rede de poliéster revestida de PVC (malha de 5,0 mm e altura de 2,1 m), foram sustentados por bambus. Em cada unidade experimental foi adicionado 25 m2 de substrato vertical (tela de polietileno com malha de 1,0 mm e cor verde). Juvenis de camarão com peso médio (±DP) de 0,80 ± 0,28 g foram estocados nas densidades de 10, 20, 40 e 60 camarões/m2 com 3 repetições por tratamento. Uma ração comercial foi fornecida em bandejas duas vezes ao dia. A cada 14 dias se avaliou a concentração de clorofila a e o peso seco do biofilme aderido ao substrato artificial dos diferentes tratamentos. Para acompanhar o crescimento dos animais, 30 camarões de cada unidade experimental foram pesados a cada 14 dias. Ao final do cultivo todos os camarões foram retirados dos cercados para avaliar a sobrevivência, o peso e a biomassa de cada unidade experimental. No experimento 2 foram utilizados 6 cercados similares aos do experimento 1, porém com densidade de estocagem de 20 camarões/m2. Dois tratamentos foram testados: com substrato artificial para fixação do biofilme (similar ao experimento 1) e sem substrato. O povoamento dos cercados, a alimentação e o acompanhamento do crescimento dos camarões seguiram a mesma metodologia utilizada no experimento 1. A análise dos dados do experimento 1 foi realizada com ANOVA seguido do teste de Tukey (α=0,05), enquanto no experimento 2 os resultados foram analisados através do “teste t” (α=0,05). No experimento 1, a concentração de clorofila a não apresentou uma relação clara com as diferentes densidades de estocagem. Porém, observaram-se valores mais elevados de peso seco do biofilme na menor densidade de estocagem, provavelmente devido à menor predação dos camarões sobre o biofilme naquele tratamento. A sobrevivência e o crescimento dos camarões foram inversamente proporcionais à densidade de estocagem. No experimento 2, a utilização de substratos artificiais não afetou significativamente as taxas de sobrevivência, crescimento e conversão alimentar dos camarões. Entretanto, em todos vii os tratamentos do experimento 1, entre o 58º e 72º dias de cultivo, observaram-se quedas no peso seco do biofilme e na taxa de conversão alimentar, as quais ocorreram simultaneamente a um aumento na taxa de crescimento. Isto sugere que os camarões consumiram o biofilme neste período. Desta forma, os resultados do presente estudo sugerem que apesar da utilização de substratos artificiais não ter resultado em melhoras significativas na produtividade de F. paulensis cultivado em cercados na densidade de 20 camarões/m2, o biofilme tem um papel importante na alimentação dos camarões. Além disso, os resultados indicam que o cultivo de F. paulensis em cercados deva ser realizado com densidades de, no máximo, 20 camarões/m2.

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